É preciso mais do que apenas desgastar a esquerda

É preciso mais do que apenas desgastar a esquerda

Lula chega a sua quarta vitória presidencial ao final do pior dos seus mandatos.  Foi uma medíocre gestão, marcada com uma política fiscal e econômica fracassada e encerrada com um governo pouco convincente nas respostas às denúncias de corrupção, que colocam as digitais do primogênito do presidente e o seu ex-chefe de gabinete no esquema fraudulento do INSS.

O desgaste do Lula 3, porém, se mostrou menor que a rejeição ao bolsonarismo na hora de totalizar os votos, fortemente influenciados por um inédito estelionato político com dinheiro público e por um giro de 360º na campanha petista de segundo turno que recorreu ao terrorismo digital para disseminar o medo, que acabou desbancando o apetite por mudança.

Neste domingo, tão logo foi declarado vencedor, Lula projetou algumas prioridades para a partir de 2027, mas tudo muito vago e de pouca valia, já que o atual presidente entrega pouco do que fala. Mas algo é certo: se quiser cumprir até o fim o seu novo mandato precisa melhorar sua gestão e, politicamente, deverá estar bem mais vigilante.

“A vida do governo junto ao Congresso, de maioria oposicionista, com deputados e senadores com sangue nos olhos e descolados do Centrão, não será barbada”

Para a direita o golpe é forte, depois de se estabelecer um favoritismo com a vitória em primeiro turno. Essa é a segunda derrota seguida de um Bolsonaro para Lula em três eleições disputadas com o PT.

Longe de ser consenso, Flávio 2026 foi lançado candidato após visitar o pai numa tarde de dezembro de 2025, sem consultas, sem delongas. A imposição não foi contestada e Tarcísio de Freitas, o preferido de nove entre dez conservadores, recolheu o trem de pouso. Reeleito ao Palácio Bandeirantes, o republicano foi um dos mais leais cabos eleitorais de Flávio.

A derrota de domingo deve provocar uma profunda autoanálise da direita brasileira, que vai precisar se decidir entre continuar sendo conduzida pelo clã Bolsonaro ou vencer uma eleição presidencial. O desafio é trabalhar um nome que não se assine Bolsonaro, mas que tenha o seu apoio. Para isso, os Bolsonaro têm que largar o osso.    

O recado de domingo é claro: a direita pode voltar ao poder desde que se descole do radicalismo e dê passos rumo ao centro. Caso despreze a realidade, terminará 2030 amargando mais uma derrota, desta vez com Michele, Carlos, Jair Renan ou até mesmo Flávio.

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