De monarca do arroz ao desgosto da política: a repleta trajetória de Érico Ribeiro

De monarca do arroz ao desgosto da política: a repleta trajetória de Érico Ribeiro

 Por Alex Soares 

Nascido em Camaquã, com atuações nos ramos agroindustrial e político, Érico Ribeiro faleceu na madrugada deste domingo (27), faltando três meses para completar 91 anos. A sua morte, em decorrência de complicações cardíacas, ocorreu no Hospital da Unimed, em Pelotas.

Com uma larga extensão cultivada, que ultrapassaram os 30 mil hectares em Pelotas, Santa Vitória do Palmar, Jaguarão e Arroio Grande, Erico ficou conhecido na década de 1990 como o “Rei do Arroz” da América Latina. O uso de técnicas modernas de irrigação, mecanização pesada e uma gestão empresarial de sucesso fizeram de Erico uma referência para o agronegócio brasileiro. “Arroz é vida e sempre foi a Minha” foi um lema de vida do empresário rural.

A consolidação como produtor lhe conduziu à liderança da Cooperativa Arrozeira Extremo Sul, que passou por longa crise antes do processo de liquidação, acelerada a partir de 2010. Na cooperativa chegou a embalar a marca “Arroz Rei do Sul”.

Como produtor rural recebeu diversas homanegens, como essa da Farsul (fotos) em dezembro 2023, quando foi agraciado com o Troféu Solução, ao lado do filho Fernando e do neto Lauro.  

Érico também passou por uma trajetória política, que começou com derrotas nas urnas. Na primeira eleição, em 1992, com uma diferença inferior a 3 mil votos, ficou em segundo lugar pelo PPR na eleição vencida pelo pemedebista Irajá Rodrigues à Prefeitura de Pelotas.

 Dois anos depois, concorreu como vice na chapa que tinha o professor Celso Bernardi, também do PPR, ao governo estadual. Ficaram em terceiro lugar na eleição vencida por Antônio Britto (PMDB).

O primeiro sucesso nas urnas aconteceu na eleição de 1998 ao ser eleito deputado estadual com 74.587 votos, mas agora pelo PPB, nova denominação do PPR, antes PDS e Arena. Foi a terceira maior votação àquela legislatura, iniciada em 1999.  

Já em 2003, assumiu uma cadeira na Câmara Federal ao ser votado por 87.298  gaúchos. Em 2006, com menos da metade dos votos conseguidos na eleição anterior, não foi reeleito.

Nesse mesmo ano, Erico teve o seu nome envolvido num esquema de liberação de emendas para compra de ambulâncias aos municípios em troca de propina. Condenado em 2010 a pagar R$ 40 mil reais, Érico também teve os seus direitos políticos cassados por 10 anos em primeira instância, pela 2ª Vara Federal de Porto Alegre. Érico sempre negou qualquer envolvimento com a chamada “Máfia das Sanguessugas”, como ficaram conhecidos os fraudadores.    

Absolvição 

Três anos depois, por unanimidade, Érico foi absolvido pelos desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) por falta de provas. Em entrevista após a decisão dos desembargadores, Érico disse que a denúncia, feita às vésperas da eleição de 2026, lhe custou um novo mandato, lhe gerando um grande desgosto pela política.

Com a primeira esposa Marilda, falecida, Érico teve os filhos Luciana, Fernando e Cristina, que que lhe deram seis netos. Ele foi também casado com Maria do Carmo.

O corpo do empresário será velado na Sala 3 do Memorial Pelotas Cemitério Parque, em Capão do Leão/RS, onde será sepultado às 17h.