Reajuste do bolsa-voto é a admissão do fracasso
O agrado aos eleitores do Bolsa-Família patrocinado pelo governo Lula faltando pouco mais de duas semanas para eleição presidencial realça algumas características indissociáveis da forma petista de governar. O apetite inesgotável pelo resultado político-eleitoral a partir da exploração da fragilidade social e econômica de um naco considerável dos votantes é uma. Outro emblema maligno é a irresponsabilidade gerencial do bem coletivo.
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Com esse reajuste, de outubro até dezembro deste ano, o Brasil vai desembolsar um extra de R$ 5,8 bilhões. Em 2027 serão mais R$ 22 bilhões adicionais, com um custo anual da União com o benefício saltando de R$ 157 bi para R$ 177 bi.
"O Bolsa Família é uma máquina de votos e, por justiça, e tem a sua origem lá atrás, ainda no governo Fernando Henrique. Lula o rebatizou, ampliando o benefício e o transformando numa potente rampa de cooptação eleitoral"
Na gestão Bolsonaro, com o nome de Auxílio Emergencial, ganhou inéditos 50% de reajuste, passando de R$ 400,00 para R$ 600,00. A diferença entre os reajustes de 2022 e o de agora está na fonte de recursos e no contexto. Na época o governo recorreu a um crédito extraordinário, fora do teto de gastos e com o país ainda sob os efeitos da pandemia da Covid-19. O de agora, segundo a equipe econômica, será com sobras de despesas, inclusive da previdência.
O reajuste desta quinta-feira é grave porque acontece num momento delicado das contas da União, com a dívida pública bruta chegando a 83% do PIB nacional, com a taxa de juros sem previsão de sair da casa dos dois dígitos, com um endividamento recorde das pessoas físicas e pedidos de recuperações judiciais das empresas como nunca se teve também.
O extra começa a pingar nas contas dos bolsistas entre o primeiro e o segundo turno da eleição e se isso não é estratégia pura para favorecer um dos candidatos, o que será? Por muito menos a rígida Justiça eleitoral tem corrigido conduções de campanha e cassado candidaturas.
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A coluna diária de Alex Soares é reproduzida também em áudio para os programas Primeira Hora e Redação Acústica (Rádio Acústica FM), Bom Dia Cidade e Boa Tarde Cidade (Rádio Tchê São Gabriel) e Jornal da Manhã (Tchê Alegrete). Ouça abaixo
