A pesquisa em último plano

A pesquisa em último plano

A pesquisa técnico-científica no Brasil é historicamente pouco valorizada e no que depender dos eleitos neste ano isso não vai mudar. Soluções e investimentos que enriqueçam a pesquisa, estratégica em nações que focam no desenvolvimento, simplesmente não constam na agenda política brasileira. Como consequência o óbvio: cabeças privilegiadas continuam a migrar para outros países e o setor público não consegue concorrer com a iniciativa privada, cujo fim tem outro caráter, mas que paga mais.  

Exemplo: o Centro de Grãos e Fibras do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) perdeu nas últimas duas décadas dez programas de pesquisa em melhoramento genético de diversos grãos, entre os quais arroz, algodão e girassol. Motivo: falta de pesquisadores.

Os dados são da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado (APqC), cujo levantamento aponta ainda que a manutenção de outras sete pesquisas com adubos verdes, milho, milho-pipoca, grão-de-bico, sorgo, sorgo forrageiro e vassoura são mantidos tendo apenas um profissional do IAC nesse trabalho.

Além da paralização dos programas de melhoramento os bancos de germoplasma do centro, que possuem valiosos materiais genéticos, estão sem a devida manutenção, como mostra reporta o Valor Econômico.

O esvaziamento se dá pelas razões de sempre: salários pouco atrativos e falta de estímulo e estrutura. Em 2025, uma mudança no plano de carreira desses servidores tornou ainda menos atrativo os cargos, não repostos com as aposentadorias dos seus titulares.

Já a Secretaria da Agricultura de São Paulo, responsável pelo IAC, diz que nomeou recentemente 37 pesquisadores aprovados em concurso feito em 2023 e que a Pasta trabalha para melhorar a infraestrutura das suas unidades.

"Não era para ter chegado este ponto se as gestões que passaram por São Paulo nos últimos anos olhassem a pesquisa com a seriedade que deveria"

O exemplo vem de São Paulo, mas o negligenciamento é nacional. Enquanto o olhar dos gestores públicos brasileiros mirarem apenas no hoje a pesquisa científica, não apenas do segmento agro-alimentar, mas de outros setores, continuará a ser vista como de menor importância entre as prioridades das política públicas.

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A coluna diária de Alex Soares é reproduzida também em áudio para os programas Primeira Hora e Redação Acústica (Rádio Acústica FM), Bom Dia Cidade e Boa Tarde Cidade (Rádio Tchê São Gabriel) e Jornal da Manhã (Tchê Alegrete). Ouça abaixo