O discurso que emocionou a plateia na homenagem a Heinze da Alergs
Durante a entrega da Medalha Mérito Farroupilha ao senador Luis Carlos Heinze (PP), o deputado estadual Marcus Vinicius de Almeida (PP), proponente da comenda, fez um discurso escrito por ele próprio que emocionou Heinze e aqueles que foram lhe abraçar na Assembleia Legislativa, na noite deste segunda-feira (10). Abaixo a íntegra do texto, que resumiu o sentimento de todos que fizeram parte da história de Heinze e por ele nutrem admiração:
“Legado não é aquilo que um homem leva consigo, depois de uma vida inteira. Legado é aquilo que ele deixa nos outros. E se existe uma palavra capaz de explicar a razão de estamos reunidos aqui nesta noite, essa palavra é legado. O legado Heinze.
Um legado que não se mede apenas pelos cargos que Luis Carlos Heinze ocupou, pelas eleições que venceu ou pelos anos que dedicou à vida pública. Ele pode ser também ser medido pelas causas que ajudou a transformar em bandeiras, pelos caminhos que abriu e, sobretudo, pelas pessoas que inspirou e continua inspirando na vida pública.
Algumas trajetórias terminam em biografias, outras viram exemplo, viram escola e talvez seja justamente por isso que esta Medalha tenha tanto significado. Porque o Mérito Farroupilha não é apenas uma condecoração, é o Rio Grande do Sul, através da sociedade representada no parlamento, dizendo a um dos seus filhos: ‘Nós vimos a tua caminhada, nós reconhecemos as tuas lutas e agradecemos por aquilo que fizestes por esta terra’.
O Guri de Candelária, que um dia vendeu salame e cachaça atrás de um balcão estudou, virou agrônomo, professor e produtor rural. O Líder que antes de conhecer os corredores do Congresso Nacional, viveu o campo, conheceu o cheiro da terra molhada pronta para virar lavoura. Sentiu a angústia de quem planta olhando para o céu. Viveu como o produtor que trabalha o ano inteiro sem saber qual será o preço da sua produção na hora da colheita. Isso explica sua longevidade na vida pública: Heinze nunca precisou imaginar a vida daqueles que defendia. Ele veio daquela vida
Foi liderança dos arrozeiros, secretário municipal da Agricultura e prefeito de São Borja. Depois, o Rio Grande o mandou para Brasília uma vez, mandou duas, três, quatro, cinco vezes para a Câmara onde foram vinte anos de mandato como deputado federal.
Até que em 2018 mais de 2 milhões de gaúchos o conduziram ao Senado da República. E o Brasil todo se convenceu daquilo que nós gaúchos já sabíamos: quando Luis Carlos Heinze acredita numa causa, é difícil fazê-lo desistir. Às vezes, impossível.
Ainda bem, porque foi essa teimosia de alemão, no melhor sentido gaúcho da palavra, que esteve presente em tantas batalhas. Na defesa da vida, da família como instituição. Do direito à propriedade, na defesa do agro, do empreendedorismo e das liberdades. Esse homem direito e de direita, que nunca mediu esforços para defender o Rio Grande do Sul.
E essa voz ultrapassou as porteiras do Rio Grande, foi ouvida em Brasília e em missões, debates e interlocuções internacionais, sempre levando consigo uma convicção: o Brasil não tem que pedir desculpas por produzir alimentos, o Brasil tem é que ter orgulho disso e o mundo nos deve gratidão!
Mas existe uma dimensão da trajetória de Heinze que nenhuma relação de cargos ou realizações consegue registrar: é a influência que ele exerceu sobre uma geração de homens e mulheres que entraram na vida pública olhando para esse jeito inquieto, quase incansável de trabalhar. E aqui eu posso falar em primeira pessoa: eu sou um desses!
Hoje sou deputado estadual e, na luta diária do mandato, muitas vezes sigo o exemplo de trabalho do senador Heinze. Aprendi observando que mandato não se exerce esperando o problema chegar ao gabinete, é preciso procurar. É estrada, município, reunião e telefone. É produtor, empresário, é trabalhador. É Brasília, Porto Alegre, Interior. É terminar uma agenda pensando na próxima. Quem convive com Heinze sabe do que estou falando.
Existe um jeito, um ritmo Heinze de trabalhar, frenético
E existe algo curioso nisso, pois depois que esse ritmo entra na nossa rotina, fica difícil voltar atrás. Porque trabalhar assim também significa compreender que sempre existe alguém esperando uma resposta, uma comunidade esperando uma obra, um setor esperando uma defesa e uma causa esperando alguém disposto a abraçá-la.
Eu aprendi muito disso contigo, Luis Carlos. E sei que muitos dos meus colegas de bancada, que se sentem tão contemplados quanto eu de te entregar essa medalha, aprenderam também. E tenho muito orgulho de dizer isso nessa tribuna.
Mas nessa história do Luis Carlos Heinze não apenas de batalhas políticas que enfrentou que quero falar, afinal, ninguém atravessa tantas décadas de vida pública sozinho.
E aqui eu quero falar da família, dos filhos Caroline, Patrícia, Natália e Rafael, dos genros, dos netos, da família que aprendeu a dividir o pai, o avô e o companheiro com estradas, aeroportos, municípios, sessões intermináveis e campanhas eleitorais. E eu quero falar especialmente da Dona Sandra, sua companheira de mais de quatro décadas, a mulher que esteve ao lado dele quando ainda não havia Senado, Câmara dos Deputados ou homenagens. E que hoje enfrenta a sua própria batalha, atravessando e se recuperando de um delicado desafio de saúde.
A Dona Sandra, a qual sei que ouvirá, logo mais, tudo isso que estamos falando aqui. E certamente, essa medalha entregue, hoje, ao Luis Carlos, não seja inteiramente dele. Uma parte dela é tua, porque há vitórias que aparecem na fotografia e há outras, talvez ainda maiores, construídas silenciosamente dentro de casa
Santo Agostinho escreveu uma ideia que atravessou os séculos:
A medida do amor é amar sem medida
E talvez vocês estejam vivendo, neste momento, exatamente isso. O amor provado não na facilidade, mas na presença. Na espera, na fé, na esperança. Somos testemunhas que o Luis Carlos tem buscado na fé forças para acompanhar tua recuperação. E tenho certeza de que todos nós que estamos aqui fazemos hoje também uma oração silenciosa para que muito em breve vocês possam olhar para esse período apenas como mais uma batalha vencida juntos.
E tem ainda uma música que diz muito sobre o nosso homenageado. O Canto Alegretense. Mas não vou recorrer ao verso mais conhecido. Prefiro um outro, muito mais profundo que diz: “Cada verso que eu componho é um pagamento...uma dívida de amor e gratidão.” Talvez seja exatamente isso que fazemos nesta noite.
O Parlamento gaúcho está pagando — simbolicamente, porque certas dívidas jamais se quitam por inteiro — uma dívida de reconhecimento. Ao menino de Candelária, ao estudante de Alegrete, ao agrônomo, ao produtor. Ao prefeito, ao deputado federal, ao senador. Mas, sobretudo, ao homem que escolheu passar a vida defendendo aquilo em que acredita. Como ensinou São Tomás de Aquino “a coragem é a firmeza da alma diante das dificuldades”
E coragem, Luis Carlos, nunca te faltou. Seja para defender posições quando eram populares e, principalmente, quando não eram. Coragem para enfrentar governos, coragem para contrariar interesses, coragem para permanecer ao lado de uma causa mesmo quando seria mais confortável abandoná-la. Pode-se concordar ou discordar de Luis Carlos Heinze. Isso faz parte da democracia. Mas o que ninguém pode fazer é ignorá-lo.
Porque Heinze nunca foi um político de passar despercebido
Nunca escolheu a arquibancada quando acreditava que seu lugar era dentro do campo, nunca fez da política um exercício de neutralidade. Escolheu lados, defendeu ideias, comprou brigas, venceu e perdeu, mas jamais deixou dúvida sobre aquilo em que acreditava. Neutralidade não existe no seu vocabulário. E talvez seja exatamente isso que esteja fazendo tanta falta à política brasileira: homens que tenham convicções antes de terem conveniências.
Por isso, Luis Carlos, esta Assembleia te entrega hoje sua mais alta honraria. Mas existe uma medalha que nenhum Parlamento pode conceder: é aquela que o tempo coloca no peito de quem olha para trás e percebe que sua vida teve propósito. A tua história começou no interior, cresceu entre produtores, atravessou o Rio Grande, chegou a Brasília e cruzou fronteiras, mas nunca te esqueceu de onde tú veio. E, no fim das contas, talvez a grandeza de um homem público seja justamente esta: poder ir muito longe sem se afastar das próprias raízes.
E volto à palavra com que comecei esta homenagem: Legado e o teu legado, Heinze, permanecerá nas causas que ajudaste a construir, nos produtores que encontraram na tua voz uma defesa, nas comunidades pelas quais lutou, nas conquistas que carregam a marca da tua persistência. Mas permanecerá também em algo que talvez não caiba em nenhuma placa, medalha ou registro oficial: nas pessoas que aprenderam contigo um jeito de fazer política. Eu sou uma delas e tantos outros ainda serão.
Porque existe uma coisa que quem convive contigo acaba descobrindo: quem experimenta o frenético jeito Heinze de trabalhar e incorpora esse ritmo à própria vida dificilmente consegue abandoná-lo. É um caminho sem volta.
Porque depois que a política deixa de ser apenas cargo e passa a ser missão, já não existe relógio capaz de determinar a hora de parar. É por isso que o legado Heinze não termina com um mandato. Legado não tem mandato, não termina numa eleição, não termina tampouco na homenagem desta noite.
Senador Luis Carlos Heinze, receba a Medalha do Mérito Farroupilha como aquilo que ela verdadeiramente representa: o abraço do Rio Grande do Sul, o abraço de uma terra que reconhece um dos seus. E mais do que reconhecer aquilo que fizeste, reconhece aquilo que deixaste. Porque cargos passam, mandatos terminam, medalhas ficam guardadas. Mas exemplos continuam caminhando.
E enquanto houver alguém levantando cedo, pegando uma estrada, enfrentando uma batalha difícil, defendendo quem produz e acreditando que a política ainda pode transformar a vida das pessoas, haverá um pouco do legado Heinze seguindo adiante
Muito obrigado, Luis Carlos, pelo que fizestes, pelo que ainda fazes e, principalmente, pelo exemplo que deixas para todos nós"
VALEU TCHÊ!
Marcus Vinicius de Almeida, deputado estadual
