Marcelo Silva elevou a função dos leiloeiros

Marcelo Silva elevou a função dos leiloeiros

Por Alex Soares

O martelo de Marcelo Silva parou de bater e a sua inconfundível voz que retumbava pistas afora agora são lembranças. Foram mais de 53 anos comandando leilões de gado e de cavalo crioulo no Brasil, Uruguai, Argentina e Chile. Sempre convincente, sempre elegante. Não apenas nos púlpitos onde reinava, mas também no trato pessoal.

Herdeiro da marca Trajano Silva, criada pelo seu pai em 1960, Marcelo começou como pisteiro ainda guri na sua Uruguaiana antes de se tornar precioso ator da valorização da genética pecuária gaúcha e brasileira. Conhecia quando era um Angus de excelência, um Hereford era produtivo ou se o Devon tinha boa carcaça. Um breve, mas atencioso olhar definia o que e quanto um cavalo crioulo renderia.

Muito da elitização da raça crioula se deve a Marcelo Silva, que transformou leilões comuns em eventos de gala no Rio Grande do Sul, em São Paulo, no Centro-Oeste e no Mercosul.

De sangue espanhol, tinha temperamento forte e convicções definitivas. Mas também foi homem de bom coração, afável e sabia explorar um genuíno carisma que atraia gente ao seu entorno.

"Era bom estar ao lado de Marcelo Silva"

O agronegócio gaúcho se despede hoje desse profissional que consagrou as tribunas de remate e elevou, com elegância, a função dos leiloeiros a um outro patamar de grandeza. Ao homem que também engrandeceu planteis, criatórios e criadores com sua repleta carta de adjetivos, fica aqui a admiração, o respeito e a gratidão.

Marcelo Silva foi um Titã, com T maiúsculo, na venerável missão de vender pelagens, sonhos e emoção.