O trigo é uma incômoda lacuna da produção agrícola nacional
Campeão de produção, de produtividade e de exportação de culturas importantes o Brasil não tem do que se orgulhar quando o assunto é trigo. O país não planta nem a metade do que consome, uma média de 13 milhões de toneladas, o que faz com que a indústria nacional de farinha ser uma dependente permanente da importação.
Na última sexta-feira a Abitrigo, que representa a indústria, manifestou preocupação com a falta do produto no mercado por causa do acirramento do conflito Rússia-Ucrânia. A nota grifa o momento como sendo de “forte instabilidade”.
Guerra
A manifestação da entidade ocorre pouco depois de a União Russa de Exportadores e Produtores de Grãos anunciar que os ataques de drones ucranianos aos navios e portos russos podem interromper as exportações de grãos pelo Mar Negro.
Receita menor
Outro fator que angustia a indústria é a queda de preços do farelo de trigo, em função também da queda dos valores do farelo de milho, o que significa redução de receitas da indústria. Como a conta precisa fechar quem paga o pato, ou melhor, pagará mais pelo cacetinho, será o consumidor.
Menor produção
Para piorar a Conab prevê uma redução de 23,5% da área plantada de trigo no Brasil em 2026, o que significa uma necessidade de importação de 1,9 de milhões de toneladas.
Insegurança
Pela parte dos produtores, o cultivo do trigo vem se tornando uma atividade cada vez menos atrativa. Fixados no Rio Grande do Sul e no Paraná, eles estão cada vez mais desestimulados, já que sobram riscos e problemas. A começar que fazer seguro para o trigo é praticamente impossível por causa do custo.
Custos altos
Além disso, para entregar um trigo que responda ao padrão de exigência das moageiras exige um investimento alto. Custos inflacionados pelo aumento do preço dos fertilizantes, do óleo diesel e do frete. Outro problema é o da armazenagem e claro, da instabilidade climática do Sul do Brasil.
Desinteresse
A demanda recomenda um horizonte com excelente potencial para os produtores, mas a realidade os freia, pois não há qualquer programa público de incentivo descente à uma maior produção. Apesar de estarmos falando de segurança alimentar, nem esse nem os últimos governos federais fizeram qualquer coisa para buscar a autossuficiência de trigo. Sequer aceitam conversar com seriedade sobre o assunto.
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A coluna diária de Alex Soares é reproduzida também em áudio para os programas Primeira Hora e Redação Acústica (Rádio Acústica FM), Bom Dia Cidade e Boa Tarde Cidade (Rádio Tchê São Gabriel) e Jornal da Manhã (Tchê Alegrete). Ouça abaixo
