Importadores tentam comprar fertilizantes pela diplomacia, mas esbarram nos preços
A falta de fertilizantes no mercado é mais um pepino a ser descascado pela desafiada agricultura brasileira. Dependente quase que integralmente da importação dos fertilizantes, o agro nacional aguarda por uma solução nas vésperas de mais um plantio da safra de verão.
Há uma estimativa da CNA, a Confederação Nacional da Agropecuária, de que até uns 45% dos fertilizantes já terem sido comprados, mas e a outra metade?
O maior problema são os fertilizantes fosfatados, e seus insumos como o ácido sulfúrico e o enxofre, também usado, agora, pela indústria de carros elétricos, o que valoriza mais o elemento. Já com relação aos nitrogenados a à base de potássio há alternativas de fornecimento, segundo os importadores.
Para suprir essa dificuldade causada agora pelos conflitos no Oriente Médio e potencializada pela restrição das exportações de países fora dessa região, como a China, até a diplomacia brasileira está entrando em campo, a pedido das entidades que representam as empresas de adubos e fertilizantes. A ideia é fazer um acordo com China, Marrocos e Rússia para liberar cargas.
Houve até avanços com a Rússia, mas os negócios com as empresas brasileiras têm esbarrado nos altos preços.
No estouro do conflito da Rússia com a Ucrania, quando as importações de fertilizantes caíram praticamente a zero, o governo do então presidente Bolsonaro lançou o Plano Nacional de Fertilizantes, cuja meta era destravar as amarras burocráticas, sobretudo as de ordem ambiental, para expandir a produção local, mas depois, com o novo governo, nada avançou.
Há dez anos que a produção nacional de fertilizantes está estagnada entre 7 e 9 milhões de toneladas, diante de uma demanda da agricultura que cresceu 65% nos últimos dez anos. Entregas essas garantidas pelas importações, que em 2025 chegaram a 50 milhões de toneladas/ano.
"São R$ 15 bilhões de dólares, mais a diferença dos lucros dos importadores, que os produtores brasileiros pagaram na última safra para manterem as suas lavouras produtivas"
Uma agricultura de escala como a brasileira definitivamente não pode ser tão dependente de insumos e fatores externos como tem acontecido. Ampliar a produção de fertilizantes é uma questão de economia, de soberania e de segurança alimentar.
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A coluna diária de Alex Soares é reproduzida também em áudio para os programas Primeira Hora e Redação Acústica (Rádio Acústica FM), Bom Dia Cidade e Boa Tarde Cidade (Rádio Tchê São Gabriel) e Jornal da Manhã (Tchê Alegrete). Ouça abaixo
