Disparada do arroz na Ásia sem efeito por aqui
Enquanto o preço do arroz no Brasil não reage positivamente aos produtores, na Ásia eles dispararam, fechando maio com um incremento de 20% sobre abril. Riscos climáticos extremos, como um provável El Niño forte em algumas regiões, combinado com períodos de seca em outras partes da Ásia reduziram perspectivas para a próxima safra. Tensões geopolíticas também estão entre os motivos, já que assim como aqui, o custo aumenta com a importação de insumos. É o maior preço do arroz tailândes, vietnamita e japonês em 16 meses.
Operadores do mercado observam que para não correrem riscos de desabastecimento alguns países exportadores vêm também adotando medidas para proteger os seus estoques internos, incluindo restrições ou maior controle sobre embarques internacionais. Essas ações podem reduzir a oferta disponível no mercado global e ampliar a volatilidade dos preços.

Infelizmente esse movimento não possui qualquer relação com o mercado do arroz do continente americano e tampouco do Brasil e do Rio Grande do Sul. Aqui os preços se mantêm baixos. Na Fronteira Oeste, onde o Conexão Rural está para acompanhar a 17ª Semana Arrozeira de Alegrete, o saco de 50 quilos estacionou na casa dos R$ 60,00 e dessa cotação não sai há algumas semanas. Nos últimos dias está, inclusive abaixo disso, entre R$ 57 e R$ 59,00.
É verdade que maio fecha com cinco navios do cereal exportado, tendo como destino principal a América Central, o que pode ajudar no encurtamento do tempo de recuperação de preços. Exportações que auxiliam no enxugamento da oferta na praça, mas longe de serem negócios remuneradores, pois a relação Dólar-Real não não ajuda quem vende para fora.
"E quando esses preços irão reagir? Ninguém sabe, pois além da oferta nos depósitos e nas indústrias, ainda têm os estoques públicos altos, acima das 2,5 milhões de toneladas"
Cenário de pessimismo e incertezas que, sem dúvida, irá modificar o desenho da lavoura da próxima safra. A área que já diminuiu na safra 2025/26 deverá ser reduzida ainda mais no próximo plantio, com a soja ganhando um espaço bem maior nas várzeas.
