Quem vai subir no palanque com Caiado no RS?
Frustrado por não ter sido o ungido do PSD à disputa pelo Palácio do Planalto, Eduardo Leite perdeu o entusiasmo pela eleição presidencial. Ele não disfarçou o seu desapontamento e a mágoa foi compartilhada por solidários aliados, que pintaram Gilberto Kassab, presidente do PSD como algoz e traidor. Não é bem assim. Leite era o terceiro da lista, Ratinho Jr. não quis e deu a lógica.
O governador gaúcho passou esses seus anos públicos tentando se descolar da profana guerra entre destros e canhotos. Essa foi a sua aposta para se vender como aspirante a presidente da República. Poderia dar certo? Sim, mas as chances de dar errado eram maiores.

Desde que FHC deixou de ser presidente em 2003, dois terços do eleitorado brasileiro passaram a marchar para dois flancos opostos e de lá não saíam. O Mensalão e o Petrolão do PT, endossados depois pela Corte, tingiram mais as polaridades. O espaço para candidaturas híbridas ficou cada vez mais limitado e o Brasil passou o Rubicão do centro.
"Mas passados os ressentimentos, se é que serão dissipados, como Leite se portará na campanha presidencial? Irá caminhar com Caiado? Por fair play deveria. Agora, se ele e a turma que ele puxou para o PSD ficar indiferente, Caiado terá problemas no Sul"
Mas será o desempenho de Caiado nas pesquisas que definirá a opção. E nisso o governador goiano pode surpreender. Se engana quem espera por aquele Caiado bronco e radical de 1989 que disputou pela UDN a Presidência com um ônibus de candidatos. Algumas eleições depois e com passagens por Câmara Federal, Senado e Palácio das Esmeraldas, Ronaldo Caiado acumulou cancha para saber que não vai a lugar algum se apresentando apenas como homem de direita.
São duas as suas missões: a primeira e mais difícil é convencer os eleitores anti-petismo de que é a melhor opção do que Flávio Bolsonaro. A segunda é derrubar Lula. Para isso se apresentará como de direita, mas não aloprado, gestor firme, entusiasta da produção e intolerante à criminalidade. Os números do seu governo em Goiás vão ajudá-lo na ilustração.
Em mais uma eleição com tons plebiscitários, feita na medida para cascas grossas, Ronaldo Caiado foi a melhor opção do PSD. Há tempo de Eduardo Leite entender e aceitar isso.
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A coluna diária de Alex Soares é reproduzida também em áudio para os programas Primeira Hora e Redação Acústica (Rádio Acústica FM), Bom Dia Cidade e Boa Tarde Cidade (Rádio Tchê São Gabriel) e Jornal da Manhã (Tchê Alegrete). Ouça abaixo
