Celulose: a afeição política vai prosperar sobre o sagrado direito de investir?
Os investimentos da indústria da celulose chegarão a R$ 109 bilhões nos próximos 10 anos no Brasil. Mato Grosso do Sul é onde mais se concentram esses aportes em construção e ampliação de unidades. Arauco, Bracell e Eldorado estão neste Estado, que projeta a construção de 80 mil novas moradias em Inocência, Batagassú e Três Lagoas, municípios que abrigarão as novas unidades. O MS está sendo chamado de o “Vale da Celulose”. Mas outros lugares estão recebendo investimentos como Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul.
São empresas focadas num mercado em crescente demanda por papel ou a celulose solúvel, destinada à indústria têxtil, de cosméticos e de alimentos. Expansão que significa também uma nova alternativa de renda à produção rural com o cultivo de eucalipto, acácia e pinus. Muitos produtores fornecem a madeira dentro do sistema integrado com essas empresas, outros já reservam e preparam áreas para os matos.
Aqui no Estado, a CMPC, gigante chilena do ramo está com tudo pronto para ampliar as suas operações com a construção de uma fábrica em Barra do Ribeiro, num investimento que chega a R$ 27 bilhões. Expansão que se confirmada vai significar um salto de desenvolvimento econômico, demográfico e social para essa região que costeia a Lagoa dos Patos. “Se” confirmada porque um obstáculo de ordem burocrática surgido tem feito o conselho da empresa e os cabeças do “Projeto Natureza”, como assim é denominado esse investimento, o repensarem. Sim, neste momento há um risco de o projeto ser abortado. Oficialmente a empresa não diz isso, mas nos bastidores há uma inquietação com a infindável lista de dificuldades surgidas para em se instalar.

Parado o projeto já está, após a recomendação do Ministério Público Federal (MPF), no início de março, entregue ao Ministério dos Povos Indígenas (MPI), à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e à Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) pela “suspensão imediata do licenciamento ambiental até que as comunidades indígenas locais sejam ouvidas, através de Consulta Livre, Prévia e Informada”.
"É bom que se registre que até aqui a empresa atendeu a todas as exigências para a emissão dos licenciamentos"
Em entrevista que me deu no último sábado, no programa Conexão Rural, o prefeito de Barra do Ribeiro, Franscisco Feijó disse que não consegue enxergar onde, quando e por que haverá prejuízos às comunidades indígenas, as quais lembrou, sequer estão próximas da Fazenda Barba Negra, onde será instalado o maquinário da CMPC.
O prefeito Feijó está preocupado, assim como seus colegas da região cujos municípios também serão beneficiados com a ampliação das operações da empresa chilena, que somente em Barra do Ribeiro vão incrementar a receita pública em ao menos três vezes.
É hora de os representantes políticos do Estado que ocupam cargos legislativos e executivos agirem, questionando as verdadeiras razões das iniciativas contrárias e barrando ações que estejam por vir.
"É inconcebível que elementos ideológicos e demagógicos incorporados ao setor público contaminem o direito privado de investir. Vaidades pessoais ou corporativistas, assim como as convenientes afeições político-partidárias não podem prevalecer sobre a aspiração coletiva de gerar crescimento"
