O futuro do Irga depende do resgate do seu genoma

O futuro do Irga depende do resgate do seu genoma

Acompanhei nesta quinta-feira (29), o Dia de Campo Estadual do Irga. Mais de mil produtores rurais participaram do evento, promovido anualmente pelo instituto do Arroz e que mais uma vez foi realizado na sua Estação Experimental, em Cachoeirinha. Público que, diga-se, surpreendeu pela quantidade, haja visto que em momentos de dificuldades como o qual o setor passa, a tendência é de o produtor ficar mais desestimulado.  

Tecnicamente foi um roteiro rico, que trouxe informações sobre o avanço dos manejos dos sistemas de produção, evolução da genética, resultados das cultivares, sementes e da relação lavoura-ambiente.

O Irga, aliás, possui um time técnico de tirar o chapéu, que pesquisa, que inova e que traz resultados. E credite-se a esses extensionistas, técnicos, agrônomos, doutores e mestres boa parte dessa escalada de produtividades que vêm sendo alcançada pelas lavouras de arroz nas últimas duas décadas.  

Um número apresentado ontem, traduz essa positiva simbiose entre técnicos e produtores: em 2010, apenas 15% das lavouras de arroz eram implantadas com sementes certificadas. Na safra 2024/2025 esse percentual chegou a 70%. Usar semente de boa qualidade, rastreada, certificada por um órgão como o Irga ou outros certificadores de credibilidade é a arrancada inicial para uma boa colheita.

Paralelo a isso projetos que foram divisores de produção, como o "10 +", que fez saltar a produtividade de arroz com a adoção de avançadas técnicas de manejos, e o "Soja 6.000", fundamental para os produtores adaptarem a soja às terras baixas.

O Irga trabalha, desde 2024, com o Projeto "RS 14" (“R" de Resiliência, “S” de Sustentabilidade). Objetivo? Aumentar a produtividade do arroz a partir também da ampliação da rotação de culturas, com arroz e outros grãos de verão e de inverno, pastagens para pecuária, a própria pecuária e florestas.

"O projeto, tocado por uma equipe limitada até agora, ganha um importante aliado, que é o novo presidente do Irga, nomeado na última quarta-feira (28) e que ontem estreou no cargo em seu primeiro compromisso oficial"

A adoção permanente dos sistemas de produção para otimizar o uso das terras, aumentado as opções de renda, foi uma das bandeiras de Alexandre Velho na sua gestão de nove anos na Federarroz.

Alexandre Velho é um produtor rural que sabe onde o calo aperta e a equipe de especialistas do Irga é competente. O alinhamento dessas virtudes poderá dar ao projeto Sistema RS 14, ou outro que venha a ser lançado, maior legitimidade, incentivos e, em consequência, mais engajamento interno e externo.  

Para isso, porém, o Irga precisa resgatar do seu genoma a sua alma de cooperação, a qual o fez ser indispensável num passado não tão distante.A sensação de pertencimento familiar, no entanto, exige o controle rígido das vaidades, o combate permanente ao individualismo e a promoção meritocrata de lideranças. 

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A coluna diária de Alex Soares é reproduzida também em áudio para os programas Primeira Hora e Redação Acústica (Rádio Acústica FM), Bom Dia Cidade e Boa Tarde Cidade (Rádio Tchê São Gabriel) e Jornal da Manhã (Tchê Alegrete). Ouça abaixo

Comentário 30 de janeiro de 2026