Gigante com pés de barro

Gigante com pés de barro

O Brasil nunca importou tanto fertilizantes como em 2025. Com o volume de 4,8 milhões de toneladas comprados em julho, maior do ano, já são 24,2 milhões/t. desde janeiro. Isso é 8,8% superior ao semestre do ano passado e bate o recorde registrado em 2022, de 23,6 milhões/t.  

Além do volume maior, os preços também aumentaram. Principais razões: demanda aquecida e risco de desabastecimento. E foi esse o último fator que fez as empresas brasileiras importarem mais nesse ano: o medo de faltar o produto.  

Aí entra também a pressão norte-americana nos países latino-americanos que compram o produto da Rússia, em guerra. O tarifaço e suas ampliações mexeram com todos os mercados. Não foi diferente com o dos fertilizantes.

"Em julho, o valor médio de compostos NP (Nitrogênio e Fósforo) chegou a US$ 570,87 por tonelada, alta de 13,2% sobre o mês anterior"

Já a ureia avançou 7%, com US$ 427,37/t. Em um ano, a ureia acumula aumento de 23%.

Neste ano já são US$ 8,8 bilhões gastos com fertilizantes pelo Brasil entre janeiro a julho, alta de 16% sobre os primeiros seis meses de 2024. A Rússia continua sendo o nosso maior fornecedor com 28,2% do total comprado, seguido da China (21,2%) e Canadá (12,8%).

Mas por que o Brasil importa 80% dos fertilizantes, tendo todo esse manancial natural e essa agricultura gigante? Primeiro porque é muito caro produzir fertilizantes aqui. O alto custo da energia e do gás natural, somado à burocracia dos licenciamentos ambientais tornam mais barato comprar de fora.

A notícia ruim é que essa equação não se resolve de um ano para o outro. A agricultura brasileira terá que continuar a conviver com essa dependência. E isso significa vulnerabilidade.

 

Comentário Alex Soares, 20 de agosto de 2025