Em que medida os contratos de opção irão mexer com o mercado?

Anunciados em 15 de julho último, os contratos de opção para compra de arroz pelo governo federal terão a sua portaria publicada nesta quarta-feira. Lançados com o intuito de enxugar o excedente de oferta do mercado e, em consequência, fazer com que os preços reajam, o instrumento da Conab está disponibilizando R$ 181 milhões para esses contratos em três faixas de preços: R$ 73 para quem entregar o arroz já em agosto; R$ 73,48 em setembro e R$ 73,95 em outubro.
Como o próprio nome diz, a ferramenta oferece a opção ao produtor em assinar o contrato com a Conab e entregar o arroz à companhia no prazo, mas se conseguir comercializar antes, com melhores preços no mercado, pode desistir da venda. O problema são os valores oferecidos, acima um pouco é verdade do quem sendo negociados em algumas regiões, mas já quase idêntico ou até abaixo do que já vem sendo praticado em outras.
Sobre o interesse pelos contratos, ele deverá ser positivo, principalmente entre vendedores que irão optar pela entrega em setembro e outubro, o que vai gerar um fôlego maior para as corretoras e produtores poderem negociar dentro duma margem mínima de garantia. Mesmo com esses preços oferecidos pela Conab estando em patamares abaixo do custo de produção, inclusive, o principal efeito dessas compras do governo é dar uma drenada no mercado. E isso deve acontecer, o que não se sabe é a intensidade.
O tema custos de produção das lavouras que está sendo discutido no XII Congresso Brasileiro de Arroz Irrigado, que teve a sua abertura na noite desta terça-feira, em Pelotas, com mais de 600 participantes que lotaram o Ginásio do Sesi. Entre as falas da solenidade, a coluna destaca a do diretor de Pesquisa e Inovação da Embrapa, Clenio Pillon, que lembrou que 80% dos nutrientes da lavoura e suas matérias primas vêm de fora do País. E isso é mais caro.
Vinte anos após começar um novo ciclo de produção, quem sabe agora é hora de pensar mais adiante, passando a explorar mais as nossas próprias reservas. Para isso, é imperativo neutralizar os ranços ideológicos- ambientais e abrir as mentes responsáveis pela manutenção de regras que só tem o mérito de trancar avanços.
O custo para fazer agricultura no Brasil exportador ainda é muito alto.