A eficiência das Decrabs justificam sua ampliação

Os resultados obtidos pelas delegacias especializadas na repressão aos crimes rurais e abigeatos do Rio Grande do Sul é um exemplo de que quando há organização, investimento e foco o serviço público funciona.
As Decrabs foram criadas em 2018, no governo de José Ivo Sartori (MDB), a partir de uma força tarefa para coibir os altos índices de furtos de gado na Campanha e na Fronteira. De duas unidades iniciais, em Alegrete e Camaquã, passaram para cinco delegacias: Santo Ângelo, Cruz Alta e Bagé. E a previsão é de que até o ano que vem estejam operando as Decrabs de Santo Antônio da Patrulha, Vacaria e Santa Maria.
Antes vinculadas às delegacias regionais da Polícia Civil, em 2023 essas DPs passaram a responder à uma divisão própria da instituição, a Dicrab. Isso está significando maior autonomia orçamentária e estrutural para viabilizar as operações.
São equipes enxutas, que atendem cada uma, ainda, a extensas faixas territoriais, mas com policiais que fazem além do que a rotina exige. E isso gera uma sensação de proteção aos produtores e moradores do campo.
Os números justificam a reputação das Decrabs: no primeiro semestre de 2015 em relação ao mesmo período de 2024, o registro é de redução dos crimes rurais entre 20% e 63%, dependendo da região. No caso dos abigeatos de mais de 8 mil animais furtados em 2016, pico da série histórica começada em 2010, essa quantidade baixou para 3 mil furtos em 2023.
Em entrevista que me concedeu no último sábado, o delegado Heleno dos Santos, chefe da Dicrab, demonstrou entusiasmo com os dados, anunciou que as operações vão ser cada vez mais intensificadas e comemorou a ampliação do número de delegacias e a musculatura ganha pela Dicrab no organograma policial do Estado.
Ao lado do investigador Márcio Campos, que integra a Decrab desde o começo, Heleno apelou aos produtores lesados que comuniquem os prejuízos aos órgãos da segurança. Foram pelas informações repassadas pelas vítimas que quadrilhas foram desmanteladas e ladrões presos. E é por essas comunicações que as Decrabs irão continuar a agir.
Os cidadãos urbanos também podem ajudar, denunciando, por exemplo, quem vende carne abaixo dos valores praticados. Ao informar os órgãos, contribuem para romper o elo ladrão-receptador, ajudam a polícia combater esses crimes e protegem a própria saúde, já que a forma e os ambientes onde são abatidos esses animais estão longe de ser adequados.
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A coluna diária de Alex Soares é reproduzida também em áudio para os programas Primeira Hora e Redação Acústica (Rádio Acústica FM), Bom Dia Cidade e Boa Tarde Cidade (Rádio Tchê São Gabriel) e Jornal da Manhã (Tchê Alegrete). Ouça abaixo