Arroz: é inegociável a redução de área

Arroz: é inegociável a redução de área

Se quiserem melhorar os preços, os produtores de arroz terão que aliviar as cargas das plantadeiras. Esse é o principal mandamento a nortear o planejamento da safra 2025-26. Não tem muito o que inventar a não ser recorrer a cautela. E as entidades e os especialistas irão bater muito nisso, agora.

Temos nesse momento uma combinação de fatores que recomendam isso. Mundiais, mas principalmente locais. O externo tem a ver com a índia, maior produtora do cereal do mundo, com 151 milhões de Toneladas, e que liberou nesse ano as exportações. E elas são maiores do que eram antes do bloqueio: de 14 milhões de t. saltou para 25 milhões de t. Isso é o dobro da produção anual brasileira.

O interno é um aumento da produção de 2 milhões de t., que somadas a 1,5 milhão de t. de importação, adicionados a um estoque de passagem de 1,8 milhão de t. formaram os preços de 2025, estagnados na divisa dos R$ 70,00.. Esses valores estão abaixo do custo dos insumos e da manutenção da lavoura.

Esse alerta que foi reforçado nesta terça-feira (5) pelo economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz. Com o Sindicato Rural de Tapes apinhado de produtores que acompanharam a primeira noite do 8º Ciclo de Palestras, da Luz justificou:

“A cada 1% de variação da produção, temos uma alteração de 1,98% nos preços”. Ou seja, produção maior, preços menores”. E vice-versa.  

E aqui um exemplo de que o problema dos baixos preços do arroz é de todos: assim como fez no ano passado, o presidente do Sindicato Rural de Tapes, Genésio Moraes trouxe um cálculo da receita circulante no município por conta do arroz e da soja. Enquanto na safra 23-24, com a saca a R$ 110, o arroz movimentou por dia uma média de R$ 1.150.000,00, em 2025 essa cifra cai para R$ 822 mil. São 28,5% menos dinheiro das lavouras nas lojas, nos mercados, no bolso dos prestadores de serviços e por ai vai.  

Com algumas variações, essa apuração é perfeitamente aplicável a todos os municípios arrozeiros da Metade Sul. Repetindo: os efeitos dos preços agrícolas vão bem além das porteiras.