A simbologia duma importação de café

A simbologia duma importação de café

A informação de que a Administração Geral das Alfândegas da China habilitou 183 novas empresas brasileiras para exportar café para o país asiático é um indício claro de que o presidente Xi Jinping irá tirar o máximo de proveito da contenda comercial dos Estados Unidos com o Brasil e com o resto do mundo.

Ao baterem no balcão dos desnorteados exportadores, os chineses se movimentam comercial e politicamente. Para o governo chinês, que age com força controlado na crise da sobretaxação, cada novo vínculo criado significa menor dependência dos países taxados em relação aos concorrentes americanos. Essa também é uma preciosa oportunidade para comprar bem e estabelecer lealdade comercial. Os chineses são organizados e agem com estratégia.

Não há previsão de embarque imediato, mas com os negócios que estão sendo amarrados, o volume de exportação deverá dar um salto nos próximos meses e anos. Neste primeiro semestre foram 538 mil sacas de café exportadas para Ásia. A metade disso foi negociada com a Luckin Coffee, rede que virou febre entre os Chineses, tradicionais bebedores de chá.

Ainda é pouco. Para efeito de comparação o Brasil exporta para os Estados Unidos uma média anual de 8 milhões de toneladas de café. Ou seja, por mais que passe a tomar mais cariocas, pingados e expressinhos, a China não vai conseguir absorver da noite para o dia o excedente.

Mas assim como nos campos reais de batalha, nas guerras comerciais um gesto vale mais do que mil tiros. E esse interesse repentino dos chineses não se resumirá somente ao café. Na oportuna ou oportunista, como queiram, listinha de compras dos chineses, há uma diversidade de produtos.   

E por que o café encabeça a lista? Estamos falando de um símbolo nacional. E isso também é precisamente calculado pelos pragmáticos chineses.