Setor de máquinas: da euforia à inquietude

Setor de máquinas: da euforia à inquietude

O setor de máquinas e equipamentos agrícolas fechou esse primeiro semestre com um volume comercializado de R$ 33, 2 bilhões, incremento de 20,7% nas vendas sobre o mesmo período de 2024. É algo expressivo para um nicho que vinha empilhando empates e perdas nos últimos dois anos.  

Impulsionaram essas vendas os recursos do Plano Safra 2025-26, que estão direcionando R$ 30 bilhões para compra de máquinas, com juros reduzidos nas linhas Moderfrota e Pronamp, principais canais de financiamento de colheitadeiras e tratores.

A euforia, entretanto, foi trocada pela preocupação nessas últimas semanas, já que a importação de máquinas brasileiras pelos Estados Unidos está na lista das taxações. Dos US$ 746 milhões exportados nesse primeiro semestre de 2025, 10% foram para os EUA

O problema não é somente a redução das vendas, que por si só já causa um baita estrago. O tarifaço ao Brasil e a outros países mexe nos custos de produção, já que a matéria-prima também irá sofrer alterações nos preços. Sobre isso, inclusive, estão alertando as gigantes AGCO e CNH Industrial. Esses custos extras serão repassados, inevitavelmente, aos agricultores de todo o mundo.

A super taxação das máquinas é um sério impacto para economia do Rio Grande do Sul, responsável por 60% da produção brasileira. O Estado, que proporcionalmente é o mais atingido do Brasil pelas medidas, por alcançar o maior percentual de produtos sobretaxados, debate alternativas que minimizem os efeitos deste caso e de outros bens de capital que irão pagar bem mais para desembarcarem as suas mercadorias nos portos americanos.

O comitê de crise dó Sistema Fiergs anunciou na última sexta-feira uma lista de sugestões aos governos estadual e federal, que contêm concessões de incentivos fiscais e de crédito dos bancos públicos de fomento. Os empresários solicitam mais recursos do BRDE, cujo seu tutor, governo Leite, já liberou R$ 100 milhões. Do governo federal, pedem a criação de linha similar pelo BNDES.

Iniciativas que irão ajudar na urgência do momento, para evitar, inclusive falências, e preservar o número máximo de empregos possível.  Se trata de mais uma provação para o setor público, entidades e empresas dum estado que parece fadado ao infortúnio.

A fase não é boa, mas vamos passar por mais essa.