As diferentes realidades dos mercados das carnes

O setor de aves do Brasil, que tem nos três estados do sul o seu principal polo produtor, acreditem, fechou o primeiro semestre com uma leve alta no volume de exportações de 0,5%. Isso é notável, pois havia um grande temor de que o caso de gripe aviária na granja comercial de Montenegro fosse deixar no vermelho as contas dos frigoríficos e criadores.
No faturamento, o balanço financeiro da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) aponta para US$ 4,871 bilhões neste primeiro semestre, isso dá 5% a mais do que os US$ 4,636 bilhões registrados nos primeiros seis meses de 2024. E com a estimativa de maior normalização dos embarque nesses meses sequentes, a tendência é que o setor feche um grande ano de vendas para o mercado externo.
O frango brasileiro, maior exportador mundial, fica livre dos efeitos do tarifaço norte-americano por não exportar para o país de Trump em razão das barreiras sanitárias. Mas os demais mercados compradores já estão consolidados.
O mesmo não acontece com a carne de gado, que tem nos Estados Unidos um importante e, até então, crescente mercado comprador. Fora da lista dos produtos isentos da sobre taxa americana de importação, a carne brasileira, que já paga alto para vender para américa, teria mais dificuldade ainda para chegar lá. Somados, os antigos e novos impostos saltam para 76% de taxa. E isso inviabiliza os negócios.
É frustrante, pois se previa um aumento este ano acima de 70% de vendas ao mercado norte-americano, muito consumidor de carne para hamburgueres, enlatados e outros processados pela indústria local.
No primeiro semestre, o Brasil exportou 181 mil toneladas de carne bovina para os Estados Unidos, num valor de US$ 1 bilhão. Isso é 12% do total das exportações brasileiras.
E o que se faz com essa carne que deixa de ser vendida? Aí começam os outros problemas. Ou se encontra um novo comprador externo, o que não é do dia para noite, ou se consome internamente o excedente. E isso é bom para os consumidores brasileiros?
Num primeiro momento até que sim, já que com maior oferta, os preços baixam. Mas é uma ilusão temporária. Se caem os valores nos açougues, eles também reduzem para os criadores, que em ato contínuo perdem também o estímulo para produzir ou entregar mais. E é aí que a conta fecha o ciclo.