Enquanto Lula vestia a fantasia de pacificador do mundo, a taxação estava em curso

Enquanto Lula vestia a fantasia de pacificador do mundo, a taxação estava em curso

É normal que o cidadão comum, o americano e principalmente o brasileiro, que será penalizado com esse tarifaço, tenha se surpreendido. O inaceitável é o espanto das autoridades governamentais locais com a ações de um presidente linha dura, eleito duas vezes empunhando a espada do imperialismo e do protecionismo norte-americano.

Faltou informação? Faltou intuição política? Faltou timing? Seja o que for, houve negligência de gente que era para estar sempre alerta, pois são eleitos e bem pagos para fazer isso. E uma barrigada dessas sai caro. 

A começar, Planalto e Itamarati subestimaram a relação dos Trumps com os Bolsonaros. Por nunca ter apresentado sinais de rompimento, esse cordão ideológico era para ter sido melhor monitorado. Acuado pelas canetas da dupla Lula-Moares, Bolsonaro iria se debater. E não iria desperdiçar o canal com Trump, empoderado pela volta à Casa Branca.

Não é somente o Brasil a vítima do tarifaço dos EUA. E para cada caso, existe uma justificativa. As razões de Trump são econômicas. No caso do Brasil, a desculpa foi a política. Acharam que o Brasil ficaria imune ao tarifaço mundial. é?  Acharam que eles dependem mais de nós do que o contrário?

Enquanto Lula vestia a fantasia de pacificador do mundo, vendendo uma falsa imagem do cara que iria influenciar nos conflitos Rússia e Ucrânia e Israel e Palestina, estava em curso a elaboração da nova tabela.O preço do cálculo errado está aí. E mesmo que nessa lista da taxação tenham sido podadas sete centenas de produtos dos 4 mil comprados pelos americanos do Brasil o estrago está feito.

No caso dos produtos agrícolas, apenas suco de laranja, castanhas e celulose entraram na lista de exceções da tarifa de 50%. Nada mudou para a carne, café, tabaco e frutas, por exemplo. Com isso, a previsão de perdas que batam na casa dos 6 bilhões de dólares anuais, feita pela CNA, pouco se altera. Isso só nos produtos do agro.

E parece bem claro que também nada muda até 6 de agosto, quando começam a entrar em vigor as sobretaxas. O homem está encanzinado e se divertindo com tudo isso. E parece não ser muito diferente com os colegas de Trump de Brasília - o ex e o atual. Afinal, a briga tem forte potencial eleitoral. No meio do fogo, empresários, entidades  e outros bombeiros tentam debelar as chamas. Sem sucesso.