As lições da safra 2024-25

As lições da safra 2024-25

Por tudo que aconteceu e ainda está acontecendo na safra 2024-2025 são grandes as dúvidas sobre o novo ciclo agrícola de verão que vem aí no Rio Grande do Sul. Começando pela quantidade de áreas a serem cultivadas. Seja na soja, seja no arroz, principais produtos agrícolas do Estado, o ceticismo é alto, já que em todas as regiões produtoras se perdeu para o tempo e para os preços, ou os dois. É o caso da soja, que no último ano teve 30% de quebra por causa da estiagem e cujos preços caíram e não reagem.

No arroz, uma produção maior no Estado, que responde por 70% da produção do Brasil, no país e no Mercosul (leia-se Paraguai), associado a movimentos de outros países produtores, omo a Índia que liberou as exportações, e às decisões pra lá de equivocadas dum governo que despacha por ideologia, os preços despencaram. O preço da saca faz meses não consegue romper a casa dos R$ 70,00, abaixo do custo de produção. E não existe argumento sólido de que isso possa se reverter num curto prazo.

O fato é que cada produtor sabe onde o calo aperta e até onde uma safra frustrada repercute, mas o fato é que todos perderam, ou mais ou menos. Ontem assisti a uma palestra dum especialista duma dessas grandes consultorias de mercado que falou em 11% de redução de área do arroz. É possível, sim. É quando consciência e necessidade dão as mãos.

Mas é preciso mais que apenas aliviar nas plantadeiras. No caso da soja, as soluções passam necessariamente por respostas mais técnicas no sentido de se antecipar aos fenômenos. É verdade que algumas dessas soluções exigem investimentos mais altos, noutras a pesquisa e agronomia podem ajudar.

No arroz, a safra 2024-25 deixa lições: a primeira: aumentar área é sempre arriscado. A segunda: é preciso profissionalizar as estratégias de mercado, abrindo novas fronteiras de escoamento, em passos assertivos e contínuos.

Ah, e é proibido  criar expectativas em relação a governos, que geralmente mais atrapalham do que ajudam.